Incêndios em Armazéns: Prevenção, Equipamentos e Custos

Incêndios em Armazéns: Prevenção, Equipamentos e Custos

Guia de segurança contra incêndios em armazéns industriais: categorias de risco SCIE, equipamentos obrigatórios, custos e impacto nos seguros.

11 min de leitura
Escrito porDurgesta

Em julho de 2024, um incêndio em armazéns na zona industrial de Ramalde, no Porto, destruiu mais de 9.000 m² e mobilizou 93 operacionais (Observador, 2024). Poucos meses depois, em dezembro de 2024, outro sinistro em Coimbra consumiu 4 a 5 armazéns e exigiu a intervenção de mais de 150 bombeiros. Estes não são casos isolados. São a consequência visível de falhas na prevenção, na manutenção de equipamentos e no cumprimento das normas de segurança contra incêndios em edifícios (SCIE).

Se a sua empresa opera num armazém industrial, este guia reúne tudo o que precisa de saber: categorias de risco, equipamentos obrigatórios com custos reais, medidas de autoproteção exigidas por lei e o impacto direto que a prevenção tem no valor do seu seguro.

Interior de armazém industrial com sprinklers e sinalização de segurança contra incêndios
A prevenção de incêndios começa na conceção do espaço e nos equipamentos instalados.

As 4 Categorias de Risco para Armazéns

A legislação portuguesa classifica os armazéns industriais e de logística na Utilização-Tipo XII (UT-XII). A categoria de risco depende sobretudo da carga de incêndio modificada por unidade de área e da existência de pisos abaixo do plano de referência (ANEPC NT06, 2022).

CategoriaCarga de incêndioPisos abaixo do plano de referênciaExemplos típicos
1.ªInferior a 500 MJ/m²0Armazéns de metais, vidro
2.ªInferior a 5.000 MJ/m²Até 1Armazéns de logística geral
3.ªInferior a 15.000 MJ/m²Até 2Armazéns de plásticos, têxteis
4.ªMais de 15.000 MJ/m²Sem limiteArmazéns de químicos, madeira
AtençãoCuidado com reclassificações

Se alterar a atividade no armazém ou armazenar novos materiais combustíveis, a categoria de risco pode subir. Uma reclassificação obriga a novos equipamentos, mais formação e, potencialmente, obras de adequação.

A categoria determina não apenas os equipamentos exigidos, mas também a dimensão da equipa de segurança, a frequência de simulacros e o tipo de planos de autoproteção que deve elaborar.

Equipamentos Obrigatórios e Quanto Custam

A partir da 3.ª categoria, a instalação de sprinklers passa a ser obrigatória. No entanto, mesmo armazéns de 1.ª categoria precisam de extintores, iluminação de emergência e sinalização adequada. Os custos indicados são valores médios de mercado em Portugal (Habitissimo, 2025).

EquipamentoDescriçãoCusto estimado
Extintor ABC 6 kgPó químico polivalente, obrigatório em todas as categorias~45 euros/unidade
Sistema de deteção convencional2 zonas, central e detetores~2.000 euros
SprinklersObrigatórios a partir da 3.ª categoriaVariável (projeto específico)
Porta corta-fogo simples (30 min)Compartimentação básica~400 euros
Porta corta-fogo dupla industrial (120 min)Compartimentação reforçada~1.800 euros
Iluminação de emergência LEDBlocos autónomos com autonomia mínima de 1 hora54 a 88 euros/unidade
InformaçãoManutenção obrigatória

Todos os extintores devem ser revistos anualmente por empresa certificada. A falta de manutenção é uma das infrações mais frequentes nas inspeções, com multas entre 180 e 1.800 euros para entidades singulares e até 11.000 euros para entidades coletivas.

Estes valores representam o investimento inicial. Considere também os custos recorrentes de manutenção anual de extintores, testes trimestrais ao sistema de deteção e inspeções periódicas às portas corta-fogo. Para uma visão mais completa dos custos de operação, consulte o nosso guia sobre segurança em armazéns.

Extintor de incêndio montado na parede de um armazém industrial
O extintor ABC 6 kg é obrigatório em todas as categorias de risco e custa cerca de 45 euros.

Medidas de Autoproteção: O Que a Lei Exige

As medidas de autoproteção são definidas no Regime Jurídico da SCIE e variam conforme a categoria de risco do armazém (segurancacontraincendio.pt). Todas as categorias exigem registos de segurança atualizados, mas as obrigações escalam rapidamente.

Medida1.ª Cat.2.ª Cat.3.ª Cat.4.ª Cat.
Registos de segurançaSimSimSimSim
Plano de prevençãoNãoSimSimSim
Plano de emergência interno (PEI)NãoSimSimSim
SimulacrosNãoA cada 2 anosA cada 2 anosAnual
Equipa de segurança (mínimo)1 elemento3 elementos5 elementos8 elementos

Os registos de segurança devem ser conservados durante 10 anos e estar disponíveis para consulta pela ANEPC ou pela câmara municipal a qualquer momento. Inclua neles todas as ações de manutenção, formações realizadas, simulacros executados e ocorrências relevantes.

Dica PráticaComece pelos registos

Mesmo que o seu armazém seja de 1.ª categoria, mantenha um dossier organizado com todas as faturas de manutenção, certificados dos equipamentos e relatórios de inspeção. Em caso de sinistro, estes documentos são fundamentais para acionar o seguro.

Se está a avaliar um novo espaço, verifique antecipadamente a categoria de risco e as medidas já implementadas. O nosso guia sobre o que verificar ao visitar um armazém ajuda-o nessa avaliação.

Prevenção: As Causas Mais Comuns e Como Evitá-las

Segundo dados da ANEPC e da Mecalux (Mecalux, 2025), as causas mais frequentes de incêndio em armazéns dividem-se em quatro grandes grupos.

Falhas elétricas são a causa número um. Quadros elétricos sobrecarregados, cablagem degradada e extensões utilizadas como solução permanente estão na origem de muitos sinistros. Faça inspeções anuais à instalação elétrica e substitua componentes com mais de 20 anos. Consulte também como otimizar a sua fatura de eletricidade sem comprometer a segurança.

Armazenamento inadequado de combustíveis multiplica a carga de incêndio. Paletes de madeira acumuladas, produtos químicos sem compartimentação e resíduos não retirados diariamente transformam um armazém de 2.ª categoria num espaço com risco real de 3.ª ou 4.ª categoria.

Trabalhos a quente (soldadura, rebarbagem, corte) realizados sem autorização formal e sem vigias de fogo são responsáveis por uma fatia significativa dos incêndios industriais. Implemente um sistema de permissão de trabalhos a quente com checklist obrigatória.

Fogo posto representa uma realidade que não pode ser ignorada. Sistemas de videovigilância, iluminação perimetral e controlo de acessos são medidas preventivas eficazes.

NotaRegra dos 3 metros

Mantenha sempre um corredor livre de pelo menos 3 metros entre mercadoria armazenada e qualquer quadro elétrico, caldeira ou fonte de calor. Esta distância mínima é uma recomendação prática que pode fazer a diferença entre um foco controlado e uma catástrofe.

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Impacto nos Seguros: Quanto Pode Poupar

O investimento em prevenção de incêndios tem retorno direto no custo do seguro multirriscos industrial. As seguradoras avaliam as condições de segurança do espaço antes de calcular o prémio, e a presença de sistemas certificados traduz-se em descontos significativos.

A Ageas, por exemplo, oferece descontos até 15% no prémio do seguro multirriscos quando o armazém dispõe de sistema de deteção de incêndio, sprinklers e alarme integrado (Ageas, 2025). A Lusitânia vai mais longe, com descontos que podem chegar aos 40% para espaços com sistemas completos de proteção ativa e passiva.

Para um armazém com prémio anual de 5.000 euros, um desconto de 25% representa uma poupança de 1.250 euros por ano. Ao fim de dois anos, só a redução no seguro paga o sistema de deteção convencional.

Além do desconto no prémio, uma boa prevenção reduz drasticamente a probabilidade de sinistro. E quando um sinistro ocorre num armazém sem as medidas obrigatórias, a seguradora pode recusar total ou parcialmente a indemnização, alegando incumprimento das condições contratuais.

Painel de controlo de sistema de deteção de incêndios num armazém
Um sistema de deteção convencional de 2 zonas custa cerca de 2.000 euros e pode reduzir o prémio do seguro até 40%.

Quem É Responsável: Inquilino ou Senhorio

Num contrato de arrendamento industrial, a divisão de responsabilidades em matéria de segurança contra incêndios gera frequentemente dúvidas. A legislação e a prática do mercado estabelecem uma separação clara.

O senhorio é responsável pela segurança estrutural do edifício: paredes e lajes com resistência ao fogo adequada, compartimentação correta, caminhos de evacuação dimensionados conforme a norma e seguro obrigatório do imóvel. Estas são condições que devem estar asseguradas antes da celebração do contrato.

O inquilino, enquanto Responsável de Segurança (RS), assume todas as medidas de autoproteção: registos de segurança, planos de prevenção e emergência, simulacros, formação da equipa e manutenção dos equipamentos de combate a incêndio. É o inquilino que deve garantir que extintores estão revistos, que a deteção funciona e que os colaboradores sabem como atuar.

AtençãoVerifique antes de assinar

Antes de celebrar o contrato de arrendamento, confirme que o armazém possui licença de utilização válida e que as condições estruturais de segurança contra incêndios estão em conformidade. A responsabilização em caso de sinistro depende do que cada parte devia garantir. Consulte o guia sobre licenciamento industrial para mais informações.

Na Durgesta, os armazéns na Área Metropolitana de Lisboa são entregues com a compartimentação e os caminhos de evacuação em conformidade com a legislação SCIE, para que os inquilinos possam focar-se na operação e nas medidas de autoproteção.

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Perguntas Frequentes

O extintor de pó químico ABC de 6 kg é o mais comum e obrigatório em todas as categorias de risco. Deve ser instalado a cada 15 metros de distância percorrida e a uma altura máxima de 1,20 metros do piso. Cada unidade custa cerca de 45 euros.

Os sistemas de sprinklers automáticos são obrigatórios a partir da 3.a categoria de risco (carga de incêndio entre 5.000 e 15.000 MJ por metro quadrado). Para a 1.a e 2.a categoria, a instalação é opcional mas recomendada, sobretudo pelo impacto positivo no seguro.

As coimas por incumprimento das normas SCIE variam entre 180 e 1.800 euros para entidades singulares e podem atingir os 11.000 euros para entidades coletivas. A falta de manutenção anual dos extintores é uma das infrações mais comuns.

O inquilino assume o papel de Responsável de Segurança (RS) e é responsável por todas as medidas de autoproteção, incluindo registos, planos de prevenção e emergência, simulacros e manutenção dos equipamentos de combate a incêndio.

Um sistema de deteção convencional com 2 zonas, incluindo central, detetores e instalação, custa cerca de 2.000 euros. Sistemas endereçáveis para armazéns maiores ou de categoria superior têm custos mais elevados, dependendo da área e do número de zonas.

A seguradora pode recusar total ou parcialmente a indemnização se o armazém não cumprir as normas SCIE no momento do sinistro. É fundamental manter todos os equipamentos operacionais e a manutenção em dia para garantir a cobertura.

A frequência depende da categoria de risco. Armazéns de 2.a e 3.a categoria devem realizar simulacros a cada 2 anos. Armazéns de 4.a categoria exigem simulacros anuais. Armazéns de 1.a categoria não têm obrigação legal de simulacros, mas a prática é recomendada.

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