Boom Logístico em Loures: Os Projetos Que Estão a Transformar o Município
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Boom Logístico em Loures: Os Projetos Que Estão a Transformar o Município

Lidl, Panattoni, VGP, Logicor e IKEA investiram mais de 250 milhões de euros em logística em Loures. Conheça todos os projetos, o que significam para o mercado e para quem procura armazém.

Escrito porDurgesta
TLDRResumo executivo
  • Mais de 250 milhões de euros investidos em centros logísticos em Loures entre 2023 e 2026.
  • Lidl inaugurou o maior centro logístico do país em Loures: 54.000 m², €115M de investimento.
  • Panattoni Park Lisbon-City (Santa Iria de Azóia): 85.500 m² em construção, entrega prevista mid-2026.
  • VGP Park Loures I (DPD + DHL): 100% ocupado. VGP Park Loures II: 53.400 m² em desenvolvimento.
  • Taxa de disponibilidade na Grande Lisboa: apenas 3,25%. Rendas prime subiram 40% desde 2019.
  • Nova saída da A1 em São João da Talha (2027) e Linha Violeta do metro (2029) vão melhorar acessos.

Loures está a viver uma transformação sem precedentes. Nos últimos três anos, o município atraiu investimentos superiores a 250 milhões de euros em centros logísticos de grande escala, protagonizados por nomes como Lidl, Panattoni, VGP, Logicor e IKEA. Não é coincidência: a combinação de localização estratégica, acessos rodoviários e proximidade ao Aeroporto de Lisboa faz de Loures o epicentro do boom logístico da Área Metropolitana de Lisboa.

Este artigo mapeia todos os grandes projetos em curso, as infraestruturas que vão mudar o jogo e o que isto significa para quem tem ou procura armazém no município.

Porque É Que Loures Se Tornou o Epicentro Logístico de Lisboa

A resposta começa no mapa. Loures ocupa uma posição central na Área Metropolitana de Lisboa, com acesso direto às principais autoestradas: A1 (Lisboa-Porto), CRIL (A36), CREL (A9), A8 (Lisboa-Leiria) e EN10. O Aeroporto Humberto Delgado fica a menos de 15 minutos das principais zonas industriais do município. O corredor Sacavém-Alverca, que atravessa Loures, concentra mais de 61% de todo o stock logístico da Grande Lisboa (Savills, 2025).

A esta vantagem geográfica junta-se um mercado extremamente limitado. A taxa de disponibilidade na Grande Lisboa é de apenas 3,25% num stock total de 3,52 milhões de m². As rendas prime subiram cerca de 40% desde 2019, atingindo 5,50 a 7,00 EUR/m²/mês dependendo da localização e qualidade do edifício (Supply Chain Magazine, 2026). Em 2025, o investimento no setor industrial e logístico em Portugal atingiu 299 milhões de euros, o maior volume desde 2022.

Com pouca oferta disponível e procura a crescer (impulsionada pelo e-commerce e pelo nearshoring), os grandes promotores internacionais escolheram Loures para os seus projetos de nova geração.

Vista aérea de zona industrial com armazéns logísticos de grande escala
Loures concentra mais de 61% do stock logístico da Grande Lisboa no corredor Sacavém-Alverca.

Os Grandes Projetos em Números

ProjetoLocalizaçãoInvestimentoÁrea (m²)Estado (2026)
Lidl Centro LogísticoSanto António dos Cavaleiros€115M54.000Operacional (março 2025)
Panattoni Park Lisbon-CitySanta Iria de Azóian.d.85.485Em construção (entrega mid-2026)
VGP Park Loures ISanto António dos Cavaleirosn.d.19.744100% ocupado (DPD + DHL)
VGP Park Loures IISanto Antão do Tojaln.d.53.417Em desenvolvimento
LogicorPóvoa de Santa Iria + Alvercan.d.40.000Licenciamento / pré-construção
IKEA LouresLoures€37MExistenteReconversão logística concluída

Somando apenas os projetos com investimento conhecido, Loures já ultrapassou os 150 milhões de euros em investimento logístico confirmado. Com os projetos Panattoni, VGP II e Logicor, o valor total facilmente supera os 250 milhões.

Projeto a Projeto: O Que Está a Ser Construído

Lidl: o maior centro logístico do país

Inaugurado em março de 2025, o centro logístico do Lidl em Santo António dos Cavaleiros é o maior do país. Os números impressionam: 54.000 m² de área coberta, capacidade para 44.000 paletes, 111 cais de carga/descarga, 257 lugares de estacionamento ligeiro e 66 para pesados. O investimento total foi de 115 milhões de euros e a construção envolveu cerca de 300 empresas (Lidl Portugal, 2025).

O centro abastece até 100 lojas na região centro e criou mais de 200 empregos diretos. Substitui o antigo entreposto de Sintra, que será reconvertido em centro de apoio operacional. Na frente da sustentabilidade, conta com painéis fotovoltaicos de 2,5 MW (equivalente ao consumo de 800 habitações), 18 postos de carregamento elétrico, sistemas de captação de águas pluviais, iluminação LED e certificação BREEAM.

Panattoni Park Lisbon-City: 85.500 m² em Santa Iria de Azóia

O segundo parque logístico da Panattoni em Portugal ocupa o terreno da antiga fábrica de vidro Covina, a 5 minutos da A1 e 11 km do Aeroporto de Lisboa. O projeto prevê 85.485 m² de área bruta locável distribuídos por 5 edifícios, com escritórios, 122 cais de carga, pé-direito de 11 metros, carregadores para frotas elétricas e certificação BREEAM Excellent (Panattoni, 2025).

A construção da Fase 1 (52.590 m² em 3 edifícios multi-inquilino) arrancou em fevereiro de 2025, com entrega prevista para meados de 2026. A Fase 2 (32.893 m² em 2 edifícios flexíveis) seguirá imediatamente. A comercialização está a cargo da Cushman & Wakefield e Savills.

VGP Park Loures I e II: last-mile para a Grande Lisboa

O VGP Park Loures I, no Planalto da Caldeira (cruzamento A40/CREL), foi entregue em novembro de 2023 e está 100% ocupado pela DPD e DHL Parcel. Com 19.744 m² dedicados à logística de última milha, a apenas 13 km do centro de Lisboa, foi um dos primeiros sinais do interesse internacional em Loures (VGP, 2023).

O sucesso do primeiro parque levou a VGP a avançar com o VGP Park Loures II em Santo Antão do Tojal, a 1 minuto da A9. Com 53.417 m² de área locável em 2 edifícios (unidades mínimas de 5.500 m²) e certificação BREEAM Excellent prevista, o parque está atualmente em fase de comercialização (VGP Parks).

Logicor: reconversão em Póvoa de Santa Iria e Alverca

A Logicor, um dos maiores proprietários de ativos logísticos da Europa, prepara dois projetos de reconversão no concelho: 30.000 m² na Póvoa de Santa Iria (licença de construção prevista para setembro de 2025) e 10.000 m² em Alverca (início de obra previsto para o início de 2026). Estes projetos fazem parte de uma estratégia mais ampla da Logicor em Portugal, que inclui um complexo de 40.000 m² no Montijo (Logicor / Sábado, 2025).

IKEA: €37 milhões em logística em Loures

A IKEA investiu 37 milhões de euros entre 2022 e 2024 na reconversão da sua loja de Loures em centro de fulfillment para e-commerce. Todas as encomendas online do mercado português são agora preparadas em Loures, eliminando a dependência do armazém logístico em Espanha. As vendas online representam já 22% da faturação da IKEA Portugal e 78% das entregas ao domicílio são feitas por veículos 100% elétricos, um dos melhores rácios do grupo a nível mundial (IKEA Portugal, 2025).

InformaçãoLoures Innovation Hub: incubadora no MARL

Além da logística, Loures está a investir em inovação. O Loures Innovation Hub, localizado no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), reabriu em 2024 após dois anos de reestruturação. Oferece 400 m² de laboratório de produção alimentar (FoodLab), uma KitchenLab para testes de conceito e espaços de coworking para startups de todos os setores.

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Interior de armazém logístico moderno com cais de carga
O centro logístico do Lidl em Loures tem 111 cais de carga/descarga e capacidade para 44.000 paletes.

Infraestruturas Que Vão Mudar o Jogo

Os projetos logísticos não são os únicos investimentos em Loures. Duas grandes infraestruturas de transporte vão transformar a acessibilidade do município.

Nova saída da A1 em São João da Talha

A Câmara Municipal de Loures lançou em julho de 2025 o concurso público para uma nova saída da A1 em São João da Talha, numa parceria com a Brisa. O investimento é de cerca de 10 milhões de euros e inclui um novo ramal de 470 metros (sentido Sul-Norte) entre os nós de Sacavém e Santa Iria de Azóia, duas rotundas e três eixos de ligação à EN10 (ECO, 2025).

A construção deverá arrancar no segundo semestre de 2026 e estar concluída até ao final de 2027. Para as zonas industriais de Sacavém, Prior Velho e Bobadela, esta saída representa um acesso direto à A1 sem ter de passar pelo nó de Sacavém, reduzindo tempo e congestionamento.

Linha Violeta: metro ligeiro Odivelas-Loures

A Linha Violeta será um metro ligeiro de superfície com 11,5 km e 17 estações (12 à superfície, 3 subterrâneas, 2 em trincheira), ligando Loures a Odivelas e à rede do Metropolitano de Lisboa. O investimento total é de 677,5 milhões de euros (Metro de Lisboa, 2025).

Nove estações ficarão no concelho de Loures, servindo as freguesias de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Frielas ao longo de 6,4 km. A conclusão está prevista para 2029. Para as empresas com armazéns em Loures, o metro facilitará o acesso de colaboradores que dependem de transportes públicos, um fator importante na atração e retenção de trabalhadores em zonas industriais.

Dica PráticaTerminal da Bobadela: atenção à evolução

O Terminal Ferroviário da Bobadela, um dos principais terminais rodo-ferroviários de Portugal e o dry port mais importante do Porto de Lisboa, está em fase de consolidação. O Terminal Norte, o único ainda ativo, deverá ser desativado até ao final de 2026, com a relocalização ainda em estudo. Esta mudança poderá afetar a logística ferroviária na zona e abrir oportunidades de reconversão urbana junto ao rio.

Autoestrada com saída para zona industrial com armazéns
A nova saída da A1 em São João da Talha vai melhorar diretamente o acesso às zonas industriais de Sacavém, Prior Velho e Bobadela.

O Que Isto Significa Para Quem Tem ou Procura Armazém em Loures

O boom logístico em Loures tem consequências diretas para quem opera ou procura espaço no município.

Rendas em alta, tendência de subida. Com a taxa de disponibilidade em apenas 3,25% e a procura a superar consistentemente a oferta, as rendas continuam a subir. Quem já tem contrato de arrendamento beneficia de estabilidade, mas as renovações e os novos contratos refletem os novos valores de mercado.

Infraestrutura melhor, mais valor. A nova saída da A1 e a Linha Violeta vão valorizar os armazéns em Loures. Melhor acessibilidade significa operações mais eficientes e maior facilidade em recrutar colaboradores. Os armazéns com bons acessos rodoviários e próximos de transportes públicos tendem a ter menor rotatividade de inquilinos.

Oferta nova é de grande escala. Os projetos da Panattoni, VGP e Logicor visam sobretudo operadores de grande dimensão (unidades mínimas de 5.000+ m²). Para empresas que procuram armazéns de 500 a 5.000 m², a oferta continua escassa, o que mantém a pressão sobre os espaços existentes neste segmento.

Sustentabilidade como padrão. Todos os novos projetos incluem certificação BREEAM, painéis solares, carregadores elétricos e sistemas de gestão de energia. Esta tendência reflete não só exigências regulatórias (a nova diretiva EPBD deve ser transposta até maio de 2026), mas também a preferência dos inquilinos por edifícios eficientes que reduzam custos operacionais.

Se está à procura de armazém em Loures, o momento exige decisão. Com a disponibilidade em mínimos históricos e a nova oferta orientada para grandes operadores, os espaços de dimensão média são cada vez mais disputados. Os armazéns da Durgesta em Sacavém, Prior Velho e Loures oferecem localizações consolidadas com acesso direto às principais autoestradas e proximidade ao aeroporto.

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Perguntas Frequentes

Os maiores projetos são o centro logístico do Lidl (54.000 m², 115 milhões de euros, operacional desde março de 2025), o Panattoni Park Lisbon-City em Santa Iria de Azóia (85.485 m² em construção, entrega prevista para meados de 2026), o VGP Park Loures I (19.744 m², 100% ocupado por DPD e DHL) e o VGP Park Loures II (53.417 m² em desenvolvimento em Santo Antão do Tojal). A Logicor prepara ainda dois projetos de reconversão na Póvoa de Santa Iria e Alverca com um total de 40.000 m².

A taxa de disponibilidade na Grande Lisboa é de apenas 3,25% num stock total de cerca de 3,52 milhões de metros quadrados, segundo dados da Savills (primeiro semestre de 2025). O corredor Sacavém-Alverca, que atravessa Loures, concentra mais de 61% de todo o stock logístico da região, o que torna o município particularmente disputado.

As rendas prime na Grande Lisboa situam-se entre 5,50 e 7,00 euros por metro quadrado por mês, tendo subido cerca de 40% desde 2019. Os valores variam consoante a qualidade do edifício, a localização exata e a dimensão do espaço. Na zona de Sacavém e Prior Velho, os armazéns existentes praticam rendas entre 6 e 10 euros por metro quadrado por mês.

O concurso público foi lançado em julho de 2025, com a construção prevista para arrancar no segundo semestre de 2026 e a conclusão estimada para o final de 2027. A obra, com um investimento de cerca de 10 milhões de euros, inclui um novo ramal de 470 metros, duas rotundas e três eixos de ligação à EN10, melhorando diretamente o acesso às zonas industriais de Sacavém, Prior Velho e Bobadela.

Sim. A Linha Violeta será um metro ligeiro de superfície com 11,5 km e 17 estações, das quais 9 ficam no concelho de Loures, servindo as freguesias de Loures, Santo António dos Cavaleiros e Frielas. A linha liga a Odivelas e à rede existente do Metropolitano de Lisboa. A conclusão está prevista para 2029, com um investimento total de 677,5 milhões de euros.

Sim, de forma positiva e negativa. Positiva: a melhoria de infraestruturas (nova saída A1, metro) valoriza os espaços existentes e facilita operações. Negativa: as rendas estão a subir e a disponibilidade é baixíssima, o que pode dificultar expansões ou mudanças. Quem já tem contrato beneficia de estabilidade, mas as renovações tendem a refletir os novos valores de mercado.

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